Juros altos, vendas em alta: por que o brasileiro continua comprando imóveis em 2026?

Vendas de imóveis em 2026 mesmo com juros altos

Juros altos, vendas em alta: por que o brasileiro continua comprando imóveis em 2026?

As vendas de imóveis em 2026 estão colocando uma ideia bastante comum à prova: se os juros estão altos, o mercado imobiliário deveria estar parado.

Os dados, porém, mostram outro cenário.

Mesmo com o crédito ainda caro, o primeiro semestre terminou com crescimento nas vendas de imóveis residenciais novos no Brasil. Ao mesmo tempo, a Selic permanece em um patamar elevado.

À primeira vista, parece uma contradição. Entretanto, quando analisamos o comportamento do mercado com mais cuidado, percebemos que os juros representam apenas uma das forças que influenciam a decisão de comprar um imóvel.

Demanda, programas habitacionais, perfil dos compradores, disponibilidade de produtos e planejamento patrimonial também ajudam a explicar por que o mercado continua movimentado.

Vendas de imóveis em 2026 cresceram 5,4% no primeiro semestre

Em primeiro lugar, os dados mais recentes ajudam a dimensionar esse movimento.

Segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Brasil comercializou 226.536 imóveis residenciais novos entre janeiro e junho de 2026.

No mesmo período de 2025, foram 214.910 unidades. Portanto, as vendas cresceram 5,4% em apenas um ano.

Além disso, somente no segundo trimestre foram vendidas 113.676 unidades, resultado 5,3% superior ao observado no mesmo período do ano anterior.

Os lançamentos, por outro lado, ficaram praticamente estáveis no semestre. Foram 211.651 novas unidades, variação negativa de apenas 0,3% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Assim, surge um cenário interessante: as vendas avançaram enquanto o número de novos lançamentos praticamente não cresceu.

Esse comportamento já mostra por que os juros altos, embora importantes, não são suficientes para explicar sozinhos o mercado imobiliário.

Mas os juros não deveriam reduzir as vendas de imóveis?

Sim. Juros elevados dificultam o acesso ao crédito e reduzem o poder de compra de parte das famílias.

No entanto, isso não significa que toda a demanda desapareça.

Em agosto de 2026, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 14% ao ano. Apesar da redução, o Banco Central mantém uma postura cautelosa diante do cenário de inflação e das condições econômicas.

Portanto, o custo do dinheiro continua elevado.

Ainda assim, o financiamento é apenas uma das variáveis consideradas por quem compra.

Existem consumidores com maior valor disponível para entrada, famílias atendidas por linhas específicas de crédito, compradores que planejam a aquisição há anos e investidores que enxergam o imóvel como parte de uma estratégia patrimonial.

Além disso, a necessidade de moradia não acompanha necessariamente o ciclo da Selic.

Famílias crescem, pessoas mudam de cidade, casais formam novos lares e compradores procuram imóveis mais adequados a novas fases da vida.

Consequentemente, uma taxa elevada consegue adiar parte das decisões, mas não elimina todas elas.

Juros altos afetam cada comprador de uma maneira diferente

Esse é um ponto importante para interpretar corretamente as vendas de imóveis em 2026.

Na prática, não existe um único mercado imobiliário.

Um comprador do primeiro imóvel, uma família de renda mais alta e um investidor podem reagir de maneiras completamente diferentes ao mesmo cenário econômico.

Para alguém que precisa financiar uma parcela elevada do imóvel, por exemplo, a taxa de juros exerce um peso muito maior.

Já um comprador com uma entrada mais robusta depende menos do financiamento. Da mesma forma, determinadas linhas habitacionais apresentam condições diferentes das encontradas no crédito imobiliário convencional.

Por isso, analisar apenas a Selic pode produzir uma visão incompleta.

Quem pretende financiar pode aprofundar essa questão no conteúdo da Calure sobre o que realmente pesa na aprovação do financiamento imobiliário. O artigo explica como renda, endividamento, histórico financeiro e valor de entrada influenciam a análise de crédito.

Minha Casa, Minha Vida ajuda a explicar o crescimento

Outro fator fundamental para compreender as vendas de imóveis em 2026 está no avanço do Minha Casa, Minha Vida.

No segundo trimestre, o programa respondeu por 51% das unidades residenciais comercializadas no levantamento da CBIC. Foram 58.392 imóveis vendidos dentro do MCMV.

Nos lançamentos, a participação foi ainda maior.

O programa representou 58% das unidades residenciais lançadas no trimestre, maior participação desde o início da série histórica da pesquisa, em 2019.

Além disso, os Indicadores ABRAINC-Fipe já mostravam força semelhante no início do ano.

Entre janeiro e abril de 2026, as vendas de imóveis novos cresceram 11,4% em comparação ao mesmo período de 2025. No Minha Casa, Minha Vida, o avanço chegou a 17,1% em número de unidades comercializadas.

Portanto, uma parte relevante da resiliência atual passa pela ampliação do acesso à moradia.

Para entender melhor esse movimento, a Calure também analisou o que mudou com a ampliação do Minha Casa Minha Vida e como as novas condições podem afetar compradores e o próprio mercado.

O crescimento não acontece da mesma forma em todos os segmentos

Aqui entra uma nuance importante.

Dizer que as vendas de imóveis em 2026 cresceram não significa afirmar que todos os segmentos vivem exatamente o mesmo momento.

Pelo contrário, os Indicadores ABRAINC-Fipe mostram diferenças relevantes.

Entre janeiro e abril, o Minha Casa, Minha Vida liderou o avanço das vendas. Entretanto, quando o levantamento considera o valor comercializado em termos reais, o segmento de Médio e Alto Padrão apresentou retração de 10,3%.

Ao mesmo tempo, o estoque disponível de Médio e Alto Padrão recuou 6% em 12 meses, chegando a 30,8 mil imóveis.

Ou seja, existe demanda, mas o cenário exige uma leitura segmentada.

Esse cuidado é essencial porque médias nacionais podem esconder comportamentos muito diferentes entre faixas de renda, regiões, cidades e tipos de imóveis.

Assim, a pergunta mais interessante deixa de ser apenas:

“O mercado imobiliário está bom ou ruim?”

E passa a ser:

“Qual mercado, para qual público e em qual localização?”

Imóveis de dois dormitórios concentram boa parte das vendas

Os dados da CBIC revelam outro comportamento interessante do comprador brasileiro.

No segundo trimestre de 2026, imóveis de dois dormitórios representaram 65,2% das unidades residenciais vendidas no levantamento nacional.

Em seguida aparecem os imóveis de um dormitório, com 23,1%. Já as unidades de três dormitórios responderam por 10% das vendas, enquanto os imóveis de quatro dormitórios representaram apenas 1,8%.

Portanto, quase dois em cada três imóveis comercializados no período tinham dois quartos.

Esse dado ajuda a entender como o mercado responde não apenas ao preço, mas também à adequação do produto à realidade das famílias.

Plantas funcionais, metragens coerentes e imóveis que atendem diferentes momentos da vida conseguem conversar com uma parcela maior do mercado.

Além disso, essa leitura reforça um princípio importante para quem desenvolve empreendimentos: um bom produto começa muito antes da obra.

É preciso entender quem vai morar ali, como essas pessoas vivem e quais necessidades aquele imóvel pretende resolver.

A oferta também ajuda a explicar por que as vendas continuam acontecendo

Outro elemento aparece quando observamos os imóveis disponíveis.

Ao final do segundo trimestre, o Brasil tinha 355.290 unidades residenciais novas disponíveis para comercialização.

Esse volume caiu 2,1% em relação ao primeiro trimestre de 2026.

Na região Sul, a redução trimestral da oferta chegou a 5,1%.

Ao mesmo tempo, as vendas continuaram crescendo.

Por isso, acompanhar somente a demanda não conta toda a história.

A relação entre imóveis disponíveis, novos lançamentos e velocidade de vendas também influencia o comportamento do mercado.

Quando o comprador encontra um produto adequado à necessidade, em uma localização coerente e dentro de uma condição financeira possível, a decisão pode acontecer mesmo em um ambiente macroeconômico menos favorável.

Vendas de imóveis em 2026 significam que é melhor comprar agora?

Aqui precisamos separar duas perguntas diferentes.

Uma coisa é entender por que o mercado continua vendendo. Outra é decidir se determinada pessoa deve comprar um imóvel agora.

Não existe uma resposta universal.

Para algumas pessoas, esperar pode fazer sentido. Organizar a entrada, reduzir dívidas ou melhorar a capacidade de financiamento pode gerar uma condição mais segura no futuro.

Para outras, uma oportunidade específica pode justificar a compra antes mesmo de uma redução maior dos juros.

Por isso, quem está diante dessa decisão pode complementar esta análise com o artigo da Calure sobre comprar imóvel agora ou esperar os juros caírem.

Nesse conteúdo, a discussão parte do ponto de vista do comprador e considera planejamento financeiro, condições de financiamento e possíveis impactos de uma retomada da demanda.

Assim, evitamos um dos erros mais comuns nas análises sobre mercado imobiliário: transformar um único indicador econômico em uma recomendação válida para todas as pessoas.

O mercado imobiliário também precisa ser analisado localmente

Os números nacionais ajudam a entender o cenário geral. Entretanto, localização continua sendo uma das principais variáveis do setor imobiliário.

Curitiba, por exemplo, possui características próprias de oferta, desenvolvimento urbano, infraestrutura e perfil de demanda.

Além disso, bairros diferentes dentro da mesma cidade podem apresentar comportamentos bastante distintos.

Consequentemente, uma análise nacional não deve substituir a leitura do contexto local.

No Blog da Calure, o conteúdo sobre o mercado imobiliário em Curitiba e o cenário para 2026 aprofunda justamente essa relação entre infraestrutura, tipologias, desenvolvimento urbano e potencial de valorização.

Para compradores e investidores, essa análise localizada costuma ser mais útil do que tentar prever o comportamento de todo o mercado a partir de uma única taxa econômica.

As vendas de imóveis em 2026 revelam um mercado mais complexo do que parece

Os juros importam. E muito.

Eles influenciam parcelas, capacidade de financiamento, decisões das incorporadoras e ritmo de novos projetos.

Entretanto, os números de 2026 mostram que a relação entre juros e mercado imobiliário não funciona como um simples botão de ligar e desligar.

Mesmo em um ambiente de crédito restritivo, 226.536 imóveis residenciais novos foram vendidos no primeiro semestre. Além disso, as vendas cresceram 5,4%, enquanto os lançamentos permaneceram praticamente estáveis.

Ao mesmo tempo, programas habitacionais ampliaram sua participação, determinados tipos de imóveis concentraram grande parcela da demanda e diferentes segmentos responderam de formas distintas ao cenário econômico.

Por isso, talvez o dado mais interessante não seja apenas que o brasileiro continua comprando imóveis.

O mais relevante é perceber que as decisões continuam acontecendo mesmo em um ambiente econômico desafiador.

Para quem compra, investe ou desenvolve empreendimentos, essa leitura muda a pergunta.

Em vez de tentar descobrir se existe um momento perfeito para o mercado imobiliário, torna-se mais importante compreender demanda, produto, localização, crédito e comportamento do comprador.

É justamente nessa combinação de fatores que o mercado revela aquilo que uma taxa de juros, sozinha, nunca conseguiria explicar.